Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém (tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
[Cecília Meireles]
Não é a toa que me identifico, me apresento e me dou tão bem com esse poema...
Acho que dele, a única coisa que falta pra ser meu, é o astrólogo arbitrário...
As luas com suas fases estão em mim, como o frio está no inverno...

Um comentário:
Nada é permanente, exceto a mudança.
GK
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